8 de out de 2010

O Comportamento das Crianças Brasileiras na Web

Fonte de referência: Ana Ikeda - UOL Tecnologia

O papel da escola, que poderia desempenhar um papel importante no acesso à web, fica apenas em terceiro lugar como local onde as crianças usam a internet com mais freqüência, perdendo para as residências e LAN houses. Ou seja: elas passam mais tempo navegando no ambiente doméstico e de acesso pago do que escolar.

O estudo foi realizado pela primeira vez no país pelo NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do .Br), entidade que implementa as decisões e projetos do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

Na lista de locais de acesso utilizados com mais freqüência, os domicílios aparecem com 46%, as LAN houses ficam com 17% e as escolas, 14%.

Para Hartmut Richard Glaser, diretor executivo do CGI.br, é necessário um esforço maior governamental para legalizar as LAN houses, atualmente proibidas de serem usadas por menores de idade pela caracterização como “casas de jogos”. “A legalização desses estabelecimentos tem importância crescente. Além das crianças, há outros 30 milhões de brasileiros que necessitam das LAN houses para se conectarem à internet. É preciso encontrar uma forma de mantê-los conectados”, destacou.

Ainda assim, a escola é o principal local onde as crianças aprendem a usar o computador e a internet: 20 % delas afirmaram ter aprendido a usar a tecnologia no local de ensino. A contradição, segundo Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação), deve-se à inexperiência dos professores e coordenadores em ligar o conteúdo pedagógico à tecnologia. “Muitas das escolas visitadas ficam com os laboratórios de informática fechados. As escolas ainda não sabem se apropriar da tecnologia e incorporá-la no ensino”, explicou.

Quando o assunto é telefone celular, cerca de 65% das crianças dizem já ter utilizado, enquanto 14% possuem um aparelho.

O estudo levou em conta brasileiros na faixa etária de 5 a 9 anos. Foram feitas 2.502 entrevistas nas áreas área urbana e rural. A pesquisa confirmou que há uma variação regional grande no uso da internet por crianças. Nos últimos três meses, o Centro-Oeste registrou o maior uso, com 43%, enquanto Sul e Sudeste ficaram respectivamente com 40% e 38%. As regiões Norte e Nordeste registraram as menores taxas, com 12% e 13%.

Ao utilizar o computador, 80% das crianças declararam o desenho como atividade principal: 64% usam o PC para escrever textos e 60% para ouvir música.

Na pesquisa com resposta estimulada, as principais atividades das crianças quando acessam a internet estão relacionadas a jogos (97%), seguido do acesso a sites de desenhos na TV (56%). O estudo aparece em terceiro lugar com 46%, e a conversa com amigos e parentes por chat ou comunicador instantâneo na quarta posição, com 31%.

Na pesquisa utilizando menções espontâneas, as crianças afirmaram em 91% dos casos usar a internet para jogar. As redes sociais marcam presença significativa: 27% dos entrevistados disseram usar a internet para acessar sites de relacionamento como o Orkut.

Nas atividades realizadas pelo celular, 88% das crianças afirmaram jogar no aparelho; 64% declararam ter ligado para alguém e 60% disseram ouvir música.

Outro agravante dos problemas é o acesso delas a conteúdos pornográficos e violentos. Com maior acesso a redes sociais tanto nos computadores como em celulares, as crianças ficam cada vez mais expostas a esse tipo de conteúdo. E não adianta colocar "filtros" de programas apenas. É como os pais delegassem a responsabilidade de educação das crianças para softwares educativos e de segurança, o que é imperdoável.

É necessário abordar o tema da Internet nas aulas de todos os tipos de escolas, incluindo uso responsável da internet no planejamento pedagógico. Temas como sexting [envio de mensagens ou fotos pornográficas via celular] e ciberbullying devem sempre ser discutidos, não se tratando de um assunto técnico, mas de ética e cidadania, valores recorrentes na relação interpessoal, na internet.

Um comentário:

  1. Se os jogos possuem caráter educativo, como alguns que se encontram alojados dentro do Portal do Curso Positivo, pode se reverter essa tendência. Abraços Elton!

    ResponderExcluir