28 de fev de 2010

Olimpíadas de Inverno 2010 - Vancouver

No Brasil, as Olimpíadas de Inverno nunca foram muito interessantes como nas Olimpíadas de Verão, por vários motivos óbvios, como a localização geográfica desfavorável para as competições e treinamentos.

Além disso, as emissoras de TV abertas quase nunca mostravam algo das Olimpíadas de Inverno, pois a maioria das provas são desconhecidas pelos brasileiros e não tinham interesse em investir em transmissões de competições nada tradicionais para o povo tupiniquim.

Mas, este ano, uma emissora de TV aberta, que conseguiu contrato exclusivo de transmissão dos Jogos Olímpicos, resolveu sacrificar sua programação rotineira na TV para transmitir tais Jogos Olímpicos desconhecidos para o brasileiro. E confesso que a jogada estratégica foi muito boa. Além de ter tido uma audiência excelente, foi uma novidade para a TV aberta brasileira.

Especialmente, na semana do carnaval, onde a maioria das TVs só mostravam folias e desfile de carnavais, tínhamos opção de assistir aos Jogos Olímpicos de Inverno, pois, senão, provavelmente minha TV estaria desligada por um bom tempo na semana.

Não quero elogiar tal emissora, pois eu repudio o dono dela (ganhando horrores com sua igrejinha em cima da ingenuidade das pessoas e ainda tendo isenção de impostos. É muita cara de pau e malandragem... mas isso é outra história). Porém, pelo menos, pudemos assistir agora competições olímpicas que, antes, eram desconhecidas para a maioria.

Para mim, o grande destaque foi as competições de patinações artísticas. Especialmente a competição feminina, entre a patinadora japonesa Mao Asada (ídolo máximo dos japoneses) e a patinadora coreana Yu-Na Kim. Minha torcida era, obviamente, para a "Mao-chan", mas tenho que admitir que a coreana foi bem mais superior que a japonesa. Por isso, meus aplausos para Yu-Na Kim.

Finalizando, apenas uma observação: Será que a grande emissora global, (que também não é nada santa), vai tentar cutucar e tirar um lasco dos próximos jogos depois do sucesso da transmissão dos Jogos de Vancouver pela emissora do tal bispo? Só espero que apareçam programações com mais qualidade e honestidade nos investimentos. Coisa que, na minha opinião, raramente ainda vai acontecer.


21 de fev de 2010

J-Dorama (I): Densha Otoko (電車男)


Tenho assistido algumas novelinhas japonesas, chamadas J-DORAMAS. Diferentemente das novelas tradicionais, J-DORAMAS são de curta duração (como se fossem as mini-séries brasileiras), são exibidas uma vez por semana no Japão e não todos os dias e, geralmente, não são tão enrolativas como as novelas tradicionais. Assim como os "animês", os "doramas" japoneses têm feito sucesso gradativamente a nível mundial e cada vez mais "fansubs" têm disponibilizado legendas em várias línguas.

"Densha Otoko" ("Homem Trem" na tradução literal) é um daqueles mais "lights" comedianas, com alguma dramatização, onde um "otaku" de carteirinha, que nunca namorou na vida, conhece uma garota que a "salva" de um maníaco numa viagem de trem (daí o nome Densha Otoko). A partir daí, ele resolve entrar num fórum na internet para pedir conselhos amorosos, usando seu nickname do título da novela.

"Densha Otoko", apesar, de ter uma abertura totalmente "animezada", não tem nada de animê, a não ser por causa da "otakice" do personagem principal, que, por sinal, nunca vi um personagem gaguejar e chorar tanto. Às vezes, chega até ser irritante. São muitas situações onde ele se mete em apuros por causa do seu jeito super tímido de ser. Seus amigos, otakus também, têm personalidades um tanto esquisitas e isso pode achar que muitos otakus são desse jeito, o que não é verdade. Otakus também são gentes (risos).

Também deu para se notar que, mesmo sendo um J-Dorama, os atores tentam criar um clima de animê, fazendo caretas e falando do mesmo jeito de personagens de animês, o que pode ser estranho no começo, mas depois, dá para se acostumar. A história é bem light, com várias pitadas de humor.

Aliás, quem sempre teve curiosidade de saber como são as lojas otakus de Akihabara, a novelinha mostra bastante detalhes dentro das lojas. Quem é otaku, não pode deixar de conferir "Densha Otoko" (possui 11 capítulos e 1 especial).

15 de fev de 2010

Carnaval da Porcaria

Escolas de samba jogam restos do carnaval ao redor do sambódromo, após os desfiles carnavalescos. Parece que o samba-enredo sobre conscientização ao meio-ambiente ficou só nos desfiles. Partes das alegorias dos carros das Escolas de samba do grupo especial que desfilaram estão abandonadas nas ruas no entorno do sambódromo e algumas foram jogadas nos rios.

No Rio de Janeiro, 62 toneladas de lixo foram recolhidas no sambódromo e aos redores só no primeiro dia de desfiles. Caminhões com jatos de água despejaram 35 mil litros de água para limpar o Sambódromo e deixar o local limpo para a segunda noite de desfiles. E com certeza, mais água para o dia seguinte e mais toneladas de lixo para recolher.

Depois dos desfiles, as pessoas simplesmente jogam as fantasias e as máscaras nas ruas, como se fosse lixo imprestável. Eu acho que deveria ter multa para as escolas de samba que permitem tais passistas a fazerem esse tipo de estupidez. Cadê as campanhas de reciclagem que as escolas de samba mostraram nas reportagens?

Mais um motivo para não apreciar o carnaval brasileiro.

10 de fev de 2010

Traficante no país dos outros é refresco

Por William Douglas

"Acompanho pela imprensa os pedidos de Mauro A.C. Moreira e sua família para que o Presidente Lula se envolva no deferimento de seu pedido de clemência, a ser apreciado pelo governo indonésio. Marco, nascido em família da classe média alta do Rio de Janeiro, já fez curso de Chef na Suíça e morou dez anos em Baili. Em 2/08/2003, ele desembarcou em Jacarta com 13,4 kg de cocaína escondidos em sua asa delta. Foi preso, julgado e condenado à morte. O Embaixador brasileiro em Jacarta afirma que o Brasil está buscando uma “solução harmoniosa” e que “Para o Brasil, o fato de dois jovens estarem presos e condenados à morte (...) cala fundo, pelo peso e severidade das penas, fato sem paralelo na Justiça brasileira. Já na Indonésia, o combate ao tráfico é prioridade política, cultural, social e, sobretudo, religiosa, ante seus efeitos nefastos” (Fonte: FSP, 17.1.2010, p. C1).

Primeiro, é natural que o condenado e a família tentem todos os recursos, e não se pode ser insensível à dor da mãe do condenado, uma senhora de 70 anos de idade. Mas, feito o registro, é preciso analisar a questão com isenção. A “solução harmoniosa” que o Brasil pretende é que um país soberano não aplique sua legislação aos crimes praticados em seu território? Se a legislação do Brasil não é tão severa, não deveria ter Marco se prestado a traficar apenas por aqui, onde o combate ao tráfico não é tão veemente?

Não podemos esquecer o caso concreto. Por que os traficantes aqui devem ser punidos e os de lá não? Por que se reclama tanto da ineficiência da nossa Polícia e Judiciário e se quer que lá, na Indonésia, essa eficiência ceda ao argumento de que o condenado é brasileiro? Ser brasileiro autoriza tratamento diferenciado, ou diminui a gravidade do fato? Então, se tivesse sido bem sucedido em sua empreitada criminosa o mal causado seria menor?

Na reportagem citada, Marco afirma que achou que "ia ser tranquilo". Assume que errou, dá uma "boa" desculpa (precisava de dinheiro para pagar uma dívida), diz que está arrependido e que "a pena já está mais do que bem paga. No Brasil, pena por tráfico é por cinco anos [5 a 15 anos]. Aqui é pena de morte". Estranho que tenha escolhido traficar na Indonésia, mas prefira as penas aplicadas em nosso país. Segundo ele, "o Lula tem como dar um jeito nessa história aí". A solução de Marco é que deportem todos, não os deixem mais entrar na Indonésia e pronto. Sim, Marco tem solução para tudo, para suas dívidas, para escolher sua pena, para como deve agir o governo brasileiro, para a política criminal da Indonésia. Meu único receio é que, mercê de ser de classe média, nosso concidadão e, agora que preso, tenha a pose de "coitadinho", receba tratamento condescendente que a população não aceita para os nossos traficantes daqui.

Não faz sentido se querer que haja combate aos traficantes por aqui e tolerância maior por lá. Uma coisa é dar assistência a um brasileiro preso no exterior, outra é se promover uma campanha para que a lei e o julgamento não sejam aplicados. Ou quer o nosso Governo que a nossa ineficiência no combate aos traficantes “ampare” a todos os brasileiros?

Lamento pela história triste do Marco e por ter ele desperdiçado suas oportunidades e tomado decisões erradas. Mas também lamento pelas pessoas que são escravizadas pelo vício e pela existência, aqui e lá, de todo um sistema de crime organizado onde ele adentrou voluntariamente como agente e para ter os benefícios do crime. Gostaria que nosso governo fosse eficiente contra os traficantes aqui como a Indonésia anda sendo. Não concordo que nosso Governo, e muito menos nosso Presidente (que fala em nome da nação), deva assumir o pedido de impunidade apenas por que tráfico de cocaína no país dos outros possa parecer menos grave do que aqui.

Bem faz a Indonésia, em punir com rigor o tráfico. Não estou discutindo se a pena de morte é uma boa medida ou não, mas apenas que Marco sabia muito bem o que estava fazendo, e um governo não deveria se mover para que as leis de outro não sejam aplicadas."

William Douglas é Juiz federal/RJ, professor, ex-delegado de policia, ex-defensor público.