19 de abr de 2013

Comportamento do Ser Humano: Uma Complexidade Sem Tamanho


Esses dias, estive refletindo sobre um tema bem amplo sobre a complexidade do comportamento do homem. Assistindo algumas palestras sobre Antropologia e Cultura Diversificada, me chamou muita atenção os temas abordados como a capacidade do ser humano em registrar informações dentro de si (sem ajuda de gadgets) e também sobre a relação entre o homem e os objetos/cenários que o interagem.


Segundo estudos, o ser humano, em geral, consegue registrar 60% do conhecimento que adquiriu em qualquer evento ou aula. Explicando de modo mais prático; o aluno interessado assiste a uma aula atentamente e assim podemos deduzir que este aluno está conseguindo captar praticamente toda a aula, certo? Errado. Se este aluno sofrer alguma interferência como receber um e-mail pelo celular ou até mesmo ser interrompido por alguns segundos por terceiros, pronto, boa parte da atenção já foi embora pois até recuperar o estado de concentração de antes pode levar algum certo tempo. Mas, mesmo assim, se este aluno não sofresse nenhuma intervenção externa, ele estaria livre para ficar concentrado? Muitas vezes não, pois depende também do estado de espírito dele. Preocupações, angústias e ansiedades são os grandes vilões da concentração. Se ele estiver preocupado se travou o carro ou se ele estiver aguardando alguma notícia de alguém íntimo mesmo que por poucos segundos, também acarreta perda de registro da aula. Bom, isso é até óbvio.

Mas o maior problema não é a capacidade de registrar os conhecimentos e sim, a capacidade de processá-los. E processar o conhecimento é, praticamente, aplicá-lo no seu dia a dia. E isso, o ser humano só consegue processar uns 3% do conhecimento. A gente até sabe das coisas, mas processar para o nosso cotidiano aí é outro nível. E segundo a palestra e estudos, Albert Einstein conseguiu chegar numa marca de processamento de 5% do conhecimento... imagine! Só 5%. Quem dirá o resto dos mortais... Esse é um grande desafio para a humanidade.

É claro que, na época antiga (Issac Newton, Leonardo da Vinci e até o próprio Einstein), não se tinha toda nossa tecnologia atual. Agora, com ferramentas computacionais e servidores de arquivos, a informação está disponível em qualquer dispositivo para fazermos nossas pesquisas e estudos. A facilidade e a rapidez para conseguir informações está muito bem mais avançada e isso tente a melhorar ainda mais no futuro. E com esse cenário, criou-se também uma discussão sobre a ética da utilização das ferramentas tecnológicas, com pergunta do tipo: "A internet e os gadgets estão nos deixando burros?"

Pensemos: os smartphones (até os celulares antigos) conseguem criar agendas eletrônicas com telefone de contato de todos nossos conhecidos, assim, dificilmente as pessoas vão precisar decorar o número de telefone deles. Na internet atual, não precisamos de mais nada além do Google para procurar algo que queremos, sem precisar decorar o endereço web. E se acharmos, é só por nos "favoritos". Pois é, realmente, perdemos um pouco a capacidade de memorizar, mas em contra-partida, adquirimos agilidade e outras técnicas de aprendizagem (como saber utilizar novas tecnologias e melhorar nossa capacidade de adaptação do cenário). Aliás, interatividade é a palavra do momento. Com a tecnologia recente, a interação com outras pessoas de qualquer parte do mundo se tornou corriqueira; coisa que mesmo há 20 anos atrás era impossível tal interação.


Aí, fiz-me a pensar; será que só nós, seres humanos interagimos? Os animais, ou até mesmo objetos (minerais) também não interagem? Claro que sim, mas não da forma igual. Pensemos naquela famosa frase espírita: "O espírito dorme na pedra, respira na planta, locomove-se no animal, pensa no homem". Aquela pedra, insignificante a princípio aos nossos olhos, já está fazendo uma interação, servindo de piso para os animais e os homens. Aquela poeira está interagindo conosco fazendo a gente espirrar... sim, isso é interatividade e informação também. Sim, os objetos informam. Agora a computação já está mais do vegetal em diante, pois é uma manifestação de reação de estímulos. A água que a planta recebe, faz ela crescer, o lápis que a gente pega na mesa usamos para escrever, etc... Isso é a computação. Já a etapa da conscientização é mais dos homens (e alguns casos raros dos animais). Ao realizar a etapa da computação, os homens refletem sobre a atividade e analisam se foi ético ou não para providenciar próximas atividades (diferentes ou não). O fato da partícula de monóxido de carbono interagir com a gente, reflete na maneira de como o homem deve se portar daqui para frente se continuar o crescimento exagerado do gás na atmosfera... tá aí a conscientização. Alguns animais também podem manifestar a conscientização (de forma mais simples), como o cão. No ambiente em que ele vive, esses animais aprendem a se virar, como o vira-lata que atravessa a rua. Incrivelmente, muitos desses animais, de tanto conviver com o homem, sabe que não se pode atravessar uma rua com muito movimento de veículos e acabam olhando para os dois lados instintivamente antes de atravessar (sim, eu já vi muitos exemplos assim). De tanto "sofrer" no ambiente urbano, os animais acabam se adaptando de alguma forma ao seu convívio. Em suma: Informação tem em qualquer objeto do universo; computação já engloba a partir do vegetal; conscientização está restrito nos homens (e casos de menor grau de percepção nos animais).

A sociedade humana é muito complexa, por isso, não dá para julgar as culturas alheias, pois o comportamento do ser humano varia muito de cultura a cultura. Um ato que para nós é lamentável, para outros, é extremamente normal e passivo. Por quê? É a antropologia cultural de cada povo que nos informa. E com essa diversidade cultural, que possamos aprender cada vez mais, com processamento e não somente com registro. :)

13 comentários:

  1. Eu precisava encontrar uma técnica pra absorver melhor as informações e direcioná-la aos meus estudos. Principalmente pra Concursos Públicos. Imagina se chegássemos aos 10% da capacidade cerebral. Segue um link que achei bem interessante: http://www.youtube.com/watch?v=WtfysqUJNso&list=UUsvkZlAS-26n4xTmiMi3K4g&index=11

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    1. Tirou as palavras da minha boca, haha.

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    2. Eu fiz um curso de técnicas de estudo. Suponho que o cara do vídeo deva tratar sobre os métodos, mas qualquer coisa fala comigo.

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    3. O bloqueio da aprendizagem realmente começa pelo nosso cérebro. Discipliná-lo é o primeiro passo.

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  2. Eu acho que ter as informações em mãos e só se preocupar em processar é uma maneira mais eficiente e fará o mundo evoluir mais rápido. Só minha opinião.

    Como os concursos ainda estão na era do decoreba, vou continuar exercendo meus exercícios de memória.

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    1. Eu creio que não há processamento sem registro, pois informação está ao alcance de todos, mas nem toda informação a gente registra pois nos parece irrelevante em certos casos.

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    2. A prática comprova: memorizar fases de games é mais fácil do que matéria de concursos!

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    3. Hahahaha. Bem vdd!!

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  3. Cool....giz de fetal

    http://www.youtube.com/watch?v=bNf6TJJXnnE

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  4. muito legal. gostei do que li aki. parabéns pelo post.

    como diz o ditado: conhecimento nunca é demais

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  5. Eu percebo isso: quanto mais informação recebemos, menos armazenamos (proporcionalmente, ao menos). Isso porque o cérebro acaba não dando conta de processar tanta coisa e uma boa parte perde-se, ou é descartada. Anos atrás, quando a informação era menos disseminada e em menor velocidade, tínhamos tempo para assimilar e sedimentar o conteúdo. Hoje já não dá mais.

    Acho que o futuro é mesmo apreender a pensar, raciocinar, resolver problemas. Já isto de saber decor as coisas vai ficando cada vez mais obsoleto quando temos Google na palma da mão

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    1. Também penso assim. O ser humano deverá aprender a raciocinar e saber lidar com essas informações, que antes, ocupava a mente com decorebas, mas que agora tem um novo patamar de aprendizagem.

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